Por Karine Durães, Vilarejo Nutrição

Baby Lead Weaning ou BLW, que significa “bebê guiando o desmame” (ou bebê guiando a introdução alimentar, em uma tradução livre) é um método comportamental sobre a introdução alimentar originalmente referido e descrito por Gill Rapley, um ex-assistente de saúde e parteira inglesa, há 25 anos.

O método permite que o bebê dirija sua introdução alimentar, servindo-se dos alimentos por si só, conforme seu desenvolvimento físico e cognitivo permite. As papinhas são dispensadas, e o bebê consome os alimentos que consegue pegar e levar a boca, sendo estimulado em sua autonomia durante sua alimentação completar. A família disponibiliza os alimentos, idealmente aproveitando os alimentos do restante da família, e o bebê os consome sem auxílio.

O BLW é um método muito discutido na atualidade, por seus aparentes benefícios. Alguns pontos estimulados neste método são ativamente estudados e incentivados, como, por exemplo o aleitamento materno em livre demanda, que é incentivado como a base nutricional deste método de alimentação complementar.

 

Qual o posicionamento da OMS e da SBP em relação ao BLW?

A OMS e Sociedade Brasileira de Pediatria indica o aleitamento exclusivo até seis meses e continuado até 2 anos ou mais e essa indicação corrobora para que essa meta seja atingida.

A partir de quando é indicado a Introdução Alimentar?

Também é indicado no BLW que a introdução dos alimentos seja realizada após o bebê mostrar sinais fisiológicos para tal, como sustentar bem a cabeça e sentar sem apoio, o que reforça a importância do aleitamento materno exclusivo até o sexto mês, idade fisiológica que o bebê apresenta essas habilidades.

Quais os benefícios que o BLW pode trazer ao bebê no aspecto comportamental da alimentação?

A possibilidade de estímulo sensorial que este método trás pode ser benéfico para o desenvolvimento de um bom padrão alimentar na infância. A literatura sugere que, caso os alimentos sólidos, que requerem mastigação não sejam introduzidos entre os seis-sete meses, as crianças tenderão a resistir a aceitá-los posteriormente. A possível não evolução da aceitação de diferentes consistências e texturas pode contribuir para a manutenção de padrões orais imaturos, na medida em que não oferece experiências sensório-motoras para a adaptação a novos padrões de sucção, mastigação e deglutição.

Alguns estudos demostraram benefícios em relação à proteção de obesidade e sobrepeso por conta de maior responsividade à saciedade – o bebê escolher quando começar e quando parar, e não é coagido a comer. Menor chance de seletividade também foi descrito como um benefício em relação ao método, confirmando os dados da literaturas expostos acima. O método foi correlacionado positivamente a tempo de aleitamento materno exclusivo, maior oferta de alimentos não processados, maior participação de refeições em família, maior confiança dos pais e menor preocupação em relação à ingestão e bagunça/sujeira durante a refeição. Todos esses fatores contribuem para um consumo alimentar mais consciente e um hábito alimentar mais saudável e competente.

Por fim, como o método sugere que se utilize a refeição da família, o ideal seria que toda a família realizasse refeições equilibradas. Os resultados em relação ao BLW parecem muito promissores. O Ministério da Saúde indica uma alimentação amassada, porém, não observamos malefícios em relação à entrega da textura original dos alimentos, desde que se permita que a introdução alimentar comece aos seis meses.

 

Na sequência abordaremos um pouco sobre o método na prática, a introdução de talheres, as dificuldades e os engasgos. Quer saber mais sobre alimentação e saúde infantil? Acompanhe nosso blog, facebook ou participe conosco do próximo Grupo de Estudos Multiplicar exclusivos para Profissionais da Saúde.

 

Referências:

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